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Xingu, 1973

Este ensaio faz parte do acervo de fotografias da Bibliothèque National de France (BnF).

Como repórter, Valdir Zwetsch esteve algumas vezes no Território Indígena do Xingu, na região norte do Brasil - área protegida da Amazônia onde hoje vivem cerca de 4.000 indivíduos de povos originários de 16 etnias diferentes. No Xingu, essas pessoas mantêm vivas suas culturas originais, o modo de vida autossustentável integrado à Natureza, os rituais sagrados e uma profunda vivência espiritual.

As mais de 500 fotografias dessa série registram cenas do cotidiano das aldeias, rituais importantes como o Kuarup (homenagem aos mortos), o Nami (rito de passagem masculino em que são furadas as orelhas dos meninos), Yamurikumá (ritual em que as mulheres assumem simbolicamente o controle da aldeia e agem como homens) e cenas do Huka-huka (confronto físico entre etnias diferentes que costuma encerrar os principais rituais do Alto Xingu).

Neste momento, quando o governo brasileiro despreza as populações indígenas e ameaça a própria existência das áreas de proteção, com favorecimento à extração mineral, à agropecuária e à derrubada da floresta, acreditamos que estas imagens transcendem o aspecto cultural, documental e antropológico, ganhando força como exemplo de sustentabilidade, grandeza espiritual e fator de resistência política.

Kaianaku Kamayurá
Kaianaku Kamayurá

A graça da jovem Kaianaku Kamayurá. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Malakuyawá e seu povo
Malakuyawá e seu povo

Liderados pelo cacique e pajé Malakuyawá, os Waurá aguardam o momento de se juntar a outros povos xinguanos e participar de um Kuarup. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Artesanato para troca
Artesanato para troca

Toda vez que saem de casa para participar de cerimônias em outras aldeias, as famílias xinguanas não carregam apenas seus pertences pessoais. Levam também utensílios e enfeites produzidos artesanalmente para trocar com os anfitriões e outros convidados. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Colar valioso
Colar valioso

O colar de conchas catadas no rio é um dos adereços masculinos mais valiosos dos povos indígenas da região do rio Xingu. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Dança feminina
Dança feminina

Dança de mulheres durante ritual do Yamurikumá – quando as mulheres assumem simbolicamente o papel dos homens na aldeia. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Brinco de penas
Brinco de penas

Os brincos de penas coloridas fazem parte da “vestimenta” dos homens nas cerimônias rituais. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Plateia guerreira
Plateia guerreira

Guerreiros das etnias Kamayurá, Waurá e Yawalapiti aguardam o momento de participar da luta “huka-huka”, que encerra o ritual fúnebre do Kuarup na região do Alto Xingu. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

União de forças
União de forças

Jovens guerreiros carregam um tronco de árvore para a aldeia onde será celebrado o Kuarup, em homenagem aos mortos. Cada tronco representa o corpo de uma pessoa homenageada. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Espíritos da floresta
Espíritos da floresta

Depois de pintados com desenhos típicos, os troncos são levados para o centro da aldeia, onde serão cobertos de adereços para incorporar a identidade e o espírito de cada pessoa homenageada. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Meninas da etnia  Kamayurá
Meninas da etnia Kamayurá

A singela beleza de duas meninas da etnia Kamayurá. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

A caminho da roça
A caminho da roça

Grupo de mulheres kamayurá e suas crianças entram na mata, a caminho da roça, onde vão colher milho, mandioca, batatas e outros alimentos cultivados comunitariamente. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Rito de passagem
Rito de passagem

A furação das orelhas é um rito de passagem coletivo. Cabe aos líderes reconhecidos ou ex-campeões da luta huka-huka a responsabilidade de furar as orelhas dos meninos. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Mulheres no poder
Mulheres no poder

Ritual de afirmação feminina numa sociedade patriarcal. Na festa Yamurikumá, as mulheres se enfeitam, cantam, dançam e simbolicamente “tomam conta da aldeia". (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Luta huka-huka
Luta huka-huka

A luta “huka-huka” faz parte da maior parte dos rituais xinguanos. É um desafio entre lutadores das várias etnias presentes à festa, que exige concentração, força e habilidade. Ganha quem conseguir bater na parte posterior da coxa do adversário ou derrubá-lo de costas no chão. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

A chegada
A chegada

Chegada de convidados ao Kuarup na aldeia Kamayurá. Depois de uma longa caminhada na mata, eles são recebidos por uma dupla de “pareats”— uma espécie de “embaixadores“ dos anfitriões. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Boas vindas
Boas vindas

Dois “pareats” (anfitriões) Kamayurá conduzem as mulheres da nação Waurá ao local onde ficarão hospedadas durante os dias do Kuarup. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Takará Kamayurá e Kumatsü Mehinako
Takará Kamayurá e Kumatsü Mehinako

Os amigos Takará Kamayurá e Kumatsü Mehinako são primos, de etnias diferentes. Desde a criação da reserve do Xingu, no começo dos anos 1960, tornou-se comum a integração entre as várias etnias xinguanas. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Banho
Banho

Em família: mulher Kamayurá com filho no colo banha o marido. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Dia de festa
Dia de festa

Um jovem pronto para a festa: no cabelo, tinta feita com o fruto do urucum; na orelha, um brinco de penas de pássaros; no pescoço, o colar feito de conchas brancas catadas no rio. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Divisão de tarefas
Divisão de tarefas

Nos deslocamentos, são as mulheres que carregam toda a bagagem em grandes cestos de palha sobre a cabeça. Aos homens cabe garantir a segurança do grupo e – seja pela caça ou pela pesca – reforçar a alimentação do grupo (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Na rede
Na rede

Em plena mata, enquanto o pai caça e pesca o alimento para a família, mãe e filho brincam na rede. (Mata próxima ao Posto Leonardo Villas Boas, sede do Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Adereço de ombro
Adereço de ombro

Além do brinco e do colar, em dia de festas e rituais, os homens das nações xinguanas se enfeitam com braçadeiras de penas coloridas nos ombros. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Nami, espera
Nami, espera

Sentados em banquinhos de madeira, os meninos Kamayurá aguardam o momento em que suas orelhas serão furadas. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

Kuarup
Kuarup

O ritual do Kuarup é a despedida definitiva das pessoas do mundo físico. A partir desse ritual, os espíritos se libertam e vão encontrar seus antepassados numa aldeia mítica. Aqui, os troncos que representam os mortos já estão prontos para receber as homenagens de despedida, no centro da aldeia. (Aldeia Ipavu, do povo Kamayurá, Território Indígena do Xingu, Brasil, 1973)

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